Há um imenso vácuo de liderança no campo da oposição no Acre.
E o pior: até agora ninguém se habilitou ao posto.
Derrotado na disputa para o governo nas eleições do ano passado, o petista Jorge Viana praticamente se mudou para Brasília.
A mudança é normal.
Afinal, assumiu posto importante na estrutura do governo federal, na presidência da Apex.
Será uma espécie de “caixeiro viajante”, para vender os produtos do Brasil no mundo.
Vai viver muito pelo mundo e pouco pelo Acre.
A sua liderança é muito questionada, nos bastidores, pelos aliados.
Por mais que queira, Viana não terá como organizar um movimento oposicionista por “home office”.
Essa é a verdade.
Outro nome que poderia liderar a oposição é o de ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre.
Mas será que ele quer?
Alexandre deveria ter sido esse líder desde 2019, pois foi derrotado no ano anterior e saiu, de certa forma, fortalecido.
Mas preferiu o silêncio e nada de combate público.
Estaria disposto a liderar agora?
Se a resposta for sim, o primeiro passo pedir para apoiadores deixarem de reclamar por ter desistido de concorrer a deputado estadual para disputar a vice-governadoria.
O que passou é passado, para ser redundante.
É hora para olhar para frente.
O Acre ligou a marcha-ré desde janeiro de 2019 e não há perspectiva de andar para frente tão cedo.
Tudo regrediu no atual governo, menos a corrupção.
Falando em corrupção, a impressão que se tem é que os opositores, e até aliados, esperam que o governador Gladson Cameli seja apeado do cargo por uma decisão judicial.
Cameli é acusado de liderar uma organização criminosa que surrupiou do erário R$ 828 milhões.
Prova há suficiente, mas quem garante que o desfecho será o esperado?
Fato é que o que resta de oposição precisa se reinventar.
Antigas divergências devem ser superadas em torno de um objetivo comum.
A criação de uma frente ampla tem que ser pensada agora, já com vistas às eleições municipais.
É tempo de inverno no campo oposicionista.
Nesse período de frio, os porcos-espinhos se juntam no mesmo espaço para se protegerem.
É claro que há muitas espinhadas, ma eles sobrevivem.
O momento de sobrevier, mesmo com espinhos.
Mas é primordial encontrar o eixo, mudando as caras e a forma de fazer política.
