Cartas às pessoas amantes da democracia e defensoras da justiça social

5–8 minutos

Por Valdemir Alves de Souza Neto*

Brasileia-AC, 26 de outubro de 2022.

Amigas e amigos,

Paz e Bem!

Eu acredito na verdade e na justiça. Tenho esperança em um Brasil melhor, com uma democracia forte e vibrante! Acredito também que nem todos os eleitores do Bolsonaro agem por má fé. Existem as pessoas que foram enganadas pelas estratégias sutis e sedutoras do fascismo. Na Alemanha de Hitler também foi assim. Por esse motivo, acredito que é possível dialogar com as pessoas “do bem” enganadas pelas mentiras do fascismo. Esse diálogo é uma tarefa de todas as pessoas que amam a democracia e defendem um país com justiça social. Nesse sentido, peço licença para apresentar alguns pontos para reflexão:

O Brasil passa por um momento histórico extremamente delicado, que coloca a nossa democracia em risco, através de uma onda nazifascista espalhada pelo planeta, impulsionada pelas consequências desastrosas da ganancia das elites capitalista perversas e pervertidas.

O que está em jogo no nosso país não é uma luta contra a corrupção e nem tão pouco uma batalha ética, moral e religiosa. O que realmente está acontecendo é uma forte luta de classes. Uma luta entre os donos do dinheiro e do poder, que agem contra a classe trabalhadora e os desalentados, oprimidos e explorados pela ambição e pela ganância. Os donos do poder buscam controlar o orçamento público no intuito de que este orçamento possa servir exclusivamente aos seus interesses, do outro lado, parte significativa da classe trabalhadora e dos desalentados, preocupados apenas em sobreviver (precariamente), não percebem a forma perversa que os donos do dinheiro os manipulam.

            Os líderes do bolsonarismo (Bolsonaro, seus filhos e os radicais da ultradireita nazifascistas) nunca foram contra a corrupção. Eles conseguem conviver tranquilamente com a corrupção do presidente, da família dele e dos integrantes deste governo. A construção de uma realidade paralela, utilizando os mecanismos e ferramentas digitais construídas pela extrema direita em outros países do Mundo foi capaz de destruir o bom senso e a capacidade de muitas pessoas de discernir entre o que é certo e o que é errado e, é por isso, que apresentar a “verdadeira realidade” para essas pessoas não é uma tarefa fácil. Por mais que sejam apresentados dados reais altamente comprovados, algumas pessoas insistem em viver em um mundo de ilusões, alimentadas por fake news e pelo ódio.

Vale destacar, que ó ódio alimentado pelo bolsonarismo não é por acaso, ele (ódio) turbina um fenômeno que o sociólogo Jessé de Souza chama de racismo de cor e de classe. Na análise do referido sociólogo, o racismo não ocorre somente pela cor da pele, mas também devido a classe social, onde as pessoas empobrecidas pela ganancia e perversão do capitalismo são oprimidas, exploradas e, quando se rebelam contra as injustiças, são assassinadas. Parece exagero, mas não é: Em muitos casos os assassinatos acontecem com anuência do Estado, em outros casos o assassino é o próprio Estado através de suas “forças de segurança”.

            Em nossas famílias observamos pessoas amadas, envenenadas pelo ódio disseminado pelo bolsonarismo, iludidas e acreditando que estão certas. Estas pessoas amadas nos veem como os errados da história. No olhar míope delas, somos defensores de ladrões, da corrupção, do aborto, da pedofolia, entre outros “monstros” criados em cima de problemas reais, para aterrorizar a sociedade. Ao contrário, sempre fomos contra os males que assolam nossa sociedade. Sabemos que as figuras perversas que constroem as narrativas fascistas, na verdade, nunca foram contrárias a estes temas, pois vivem da enganação da boa-fé das pessoas, aterrorizando, dividindo famílias, destruindo amizades e matando quem pensa diferente.

             A realidade social e econômica do Brasil sofre retrocessos desde o golpe de 2016. Com a eleição de um presidente de extrema direita adepto escancarado do nazifascismo, a destruição do país se torna a cada dia mais clara e mais evidente. Como é possível observar: a taxa de desemprego foi elevada a patamares jamais vistos; destruíram a politica de valorização do salário mínimo; destruíram os programas sociais (Bolsa Família, ProUni, por exemplo); destruíram o Programa Minha Casa Minha Vida; destruíram os direitos trabalhistas e previdenciários; destruíram as política públicas que fortaleciam a educação e a saúde pública e, no lugar de tudo isso, construíram uma cultura do ódio e do med;, facilitaram o acesso a armas e incentivaram a  violência contra as pessoas que são e pensam diferente. O projeto do bolsonarismo é matar, matar e matar.

            A política de aumento real do salário mínimo, os programas sociais (Bolsa Família, BPC, ProUni, etc.), juntamente com os programas de aceleração do crescimento – PACs, e os investimentos na agricultura familiar foram responsáveis pelo aquecimento da economia, pela geração de empregos, pela saída do país do mapa da fome da ONU e pela saída de milhões de famílias da situação de extrema pobreza.

            Infelizmente, o desmantelamento das políticas sociais ocorrido no governo Temer e no governo atual, foi responsável pela volta do país ao Mapa da Fome e pelo agravamento da extrema pobreza, rompendo com os avanços e conquistas que precisavam de mais tempo e de aprimoramento para serem consolidadas.

            Em outra frente de destruição, a reforma trabalhista garantiu aos patrões a possibilidade de explorar e oprimir com maior intensidade a classe trabalhadora. Desapropriada de direitos, a classe trabalhadora é obrigada a trabalhar mais, por salários cada vez menores, aumentando os lucros dos patrões e a concentração de riquezas em poucas mãos. Do mesmo modo a reforma da previdência, que teve como principal objetivo reduzir os gastos do Estado brasileiro com previdência social, inviabilizou a aposentadoria de parte da população, impondo condições de extrema pobreza para as camadas de menor renda nos últimos anos de suas vidas.

            Por fim, sem os programas sociais como o Bolsa Família, as famílias atualmente desalentadas, (sem emprego, sem formação para o emprego), são jogadas à margem da sociedade para sobreviverem miseravelmente.

Vale ressaltar também, que em todos os países de economia forte e que se preocupam com o Bem Estar Social, existem programas sociais para atender famílias em situação de extrema pobreza. Os referidos programas têm como objetivo: corrigir os desajustes criados pelo próprio capitalismo. No Brasil há uma luta ultraliberal e fascista contra estes programas, piorando a situação de extrema pobreza de parte da população.

            A partir do exposto é possível afirmar que a luta é de classes e é ofuscada por temas, que por mais que sejam relevantes, estão sendo utilizados de maneira enganosa para tirar de foco do que realmente interessa: a realidade de violenta exploração e opressão imposta à classe trabalhadora e às pessoas desalentadas de nosso país.

            Espero poder, com estas linhas, auxiliar na reflexão sobre quais são os verdadeiros motivos para o levante ultraliberal e nazifascista que está colocando em perigo a nossa democracia. Alertar sobre os perigos que corremos em nosso país com a possibilidade de um representante do nazifascismo continuar na Presidência da República.

Sigamos na luta, pois nunca foi fácil lutar pela verdade de pela justiça. Até Jesus Cristo foi preso, torturado e assassinado pelos opressores da época, com a participação de líderes religiosos e com a participação de parcela dos oprimidos.

“Sem medo de ser feliz!”

Sigamos na luta!

*Valdemir Alves de Souza Neto é servidor público concursado e mestre  em políticas públicas