Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, ontem, o próximo Presidente de Pindorama.

2–3 minutos

Por Francisco O. D. Veloso*

Jair Bolsonaro foi derrotado nas urnas.

Foi Jair o maior beneficiado pelo golpe branco contra a ex-Presidenta Dilma Rousseff em 2016. Surfou no vácuo deixando pelos golpistas, que tinham experiência em manobras políticas, mas desconheciam o papel das redes sociais em campanhas eleitorais e no processo de persuasão e mobilização das massas.

Por ser um homem imaturo e oportunista, até o momento que escrevo não reconheceu a derrota. Segundo a mídia, está reunido no Planalto avaliando como irá se manifestar.

Já entrou para a História do Brasil como o candidato derrotado que mais demorou a reconhecer a vitória do adversário. Pode estar de olho no recorde mundial.

Temos umas estradas fechadas aqui e ali, hoje.

No Acre, caminhoneiros estão bloqueando a estrada entre Brasiléia e a capital, o que significa que vai atrapalhar os negócios e operações dos frigoríficos da região, por exemplo.

Já existem estradas bloqueadas em 11 estados. Não vai durar muito tempo. As ruas não serão tomadas por cidadãos de arma em punho como pode desejar a fera ferida. Duvido.

Vários de seus aliados já concederam a derrota: moro, damares, salles. Nota para o leitor: escrevo os nomes em minúsculo para registrar, para a posteridade, o tamanho do papel histórico destes funcionários públicos.

Entre os fiéis aliados do presidente derrotado nas urnas, a deputada federal Carla Zambelli reconheceu, ainda no domingo, a derrota e se anunciou como a futura “maior oposição” que o presidente Lula já viu.

Isso soa como uma ameaça, mas na verdade é coisa de bufão.

No último sábado Zambelli protagonizou o canto do cisne bolsonarista: perseguiu um jornalista, um homem negro, de arma em punho, no que parecia uma mistura de As Panteras com Os Trapalhões.

Exceto que a arma era real, e o jornalista certamente terá que lidar com a experiência traumática por algum tempo.

Zambelli está preocupada é com ela, pois sabe que terá problemas judiciais. Tentou pautar a jornalista da CNN e foi colocada no devido lugar.

Tentou controlar a narrativa. Falhou. Tudo foi registrado em vídeo por transeuntes.

O ocaso do bolsonarismo não poderia ser mais completo. Claro que isso se transformará em outra coisa, mas isso só o tempo dirá. O estrago feito pelo discurso de ódio e preconceito ganhou aderência, só precisará de um novo líder, um novo hospedeiro.

Como já disse anteriormente, Bolsonaro é um homem imaturo, emocionalmente frágil. Este deve ser um momento muito difícil e ele sabe que deve continuar assim por bastante tempo. Os sigilos de 100 anos serão quebrados e isso será explorado pela mídia, e que terá que lidar com problemas legais.

O orgulho de macho viril está ferido, acima de tudo. Levou uma multidão a entoar em uníssono que era imbrochável.

Agora só nos resta registar que, sim, Jair Bolsonaro brocha. Mas não foi por isso que perdeu a eleição.

*Francisco O. D. Veloso é professor no Centro de Educação, Letras e Artes (CELA-UFAC). Possui Doutorado em Linguística Aplicada/Inglês pela UFSC. Foi professor na Universidade Politécnica de Hong Kong (Hong Kong SAR), Professor Visitante na Universidade de Modena e Reggio Emília (Modena, Itália) e professor na Universidade de Bologna (Bologna, Itália).