Países ricos têm 15% da população mundial, mas concentram 45% de todas as doses disponíveis; enquanto EUA iniciam campanha para imunizar crianças, Chade não consegue sequer vacinar médicos e enfermeiros que trabalham na linha de frente
Thaís Ferraz, O Estado de S.Paulo
O avanço das campanhas de vacinação contra a covid-19 no mundo, que bateu nesta semana a marca de 1,6 bilhão de doses aplicadas, ampliou a desigualdade entre países ricos e pobres. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os países de alta renda, com 15% da população mundial, compraram 45% de todas as vacinas disponíveis. Cerca de dez países, a maioria na África, sequer aplicaram uma única dose.
O Chade é um deles. Com 15 milhões de habitantes, o país só deve receber as primeiras doses da Pfizer em junho. Médicos e enfermeiros ainda não foram vacinados. Também não começaram a vacinação Burkina Faso, Eritreia, Burundi e Tanzânia – que, em fevereiro, disse que não pretendia “aceitar” vacinas. Pequenas ilhas do Pacífico, como Vanuatu, também não iniciaram campanha de vacinação, mas têm menos urgência porque não registraram grandes surtos.
O cenário preocupa especialistas. A OMS estima que a lenta vacinação em alguns países pode prolongar a pandemia. Os grandes laboratórios afirmam que seria possível imunizar a maioria da população mundial até o fim de 2021, mas especialistas alertam que países mais pobres podem conseguir terminar a inoculação apenas em 2024.
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