Olá, bora porongar? Quem passa pela movimentada Avenida Ceará, em Rio Branco, não tem como ignorar o imponente prédio pintado em tons de rosa. Ali, onde no passado funcionou um tradicional jornal impresso, hoje pulsa o coração financeiro e político da campanha da governadora em exercício, Mailza Assis. Mas o que realmente chama a atenção de quem conhece os meandros do poder não é a cor da fachada, mas sim o vaivém de personagens graúdos nos bastidores.
Nas últimas semanas, o cheiro de fumaça no ar não veio apenas das queimadas, mas das movimentações suspeitas que a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal teimam em não enxergar. O que secretários de Estado e um batalhão de empresários fazem, pacientemente enfileirados, para serem atendidos por Madson Cameli, marido e chefe de gabinete da governadora?
Para entender o tamanho do enredo, precisamos voltar duas semanas no tempo. O secretário Rômulo Grandidier — aquele mesmo que carrega nas costas o peso das investigações da Operação Ptolomeu e que deveria cumprir medidas cautelares rigorosas impostas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) — foi visto despachando tranquilamente em um prédio alugado pelo Estado para tratar de interesses eleitorais.
“Grandidier, que teoricamente não deveria pisar em repartições públicas por ordem da ministra Nancy Andrighi, parece ignorar a linha tênue entre o público, o privado e o judicial. Para ele, a campanha é um território livre de leis.”
Mas o verdadeiro “gargalo” do poder atende pelo nome de Madson Cameli. No comitê rosa, o beija-mão é frenético. Secretários de Estado batendo continência para o marido da governadora já virou rotina institucional. O problema real — e que deveria acender o alerta vermelho no Ministério Público Eleitoral — é a fila de empresários e prestadores de serviços do Estado que aguardam uma audiência com o “primeiro-cavalheiro”.
A chave do cofre e o balcão de negócios
- Quem ganha: Os empresários do topo da cadeia, que encontram no comitê de campanha o atalho perfeito para destravar medições de obras e pagamentos atrasados do Estado. Ganham também os operadores políticos, que usam a máquina pública como moeda de troca eleitoral.
- Quem perde: O cidadão acreano, que assiste à paralisia de serviços essenciais enquanto os recursos públicos parecem condicionados ao humor e ao crivo político do gabinete de Madson Cameli. Perde também a lisura do processo democrático.
A denúncia de bastidores é clara e direta: nos corredores do Palácio Rio Branco, o boato que corre é de que nenhum pagamento de relevância do governo estadual é liquidado sem que passe pelo “crivo” e pelo aval de Madson. Se isso for verdade, o comitê de campanha da governadora não é apenas um centro de panfletagem; transformou-se em uma extensão informal — e ilegal — da Secretaria de Fazenda e de Planejamento.
Não custa lembrar que o histórico recente da gestão não é dos mais limpos. O Portal do Rosas já revelou o uso indevido da estrutura do Deracre para fins eleitorais e as denúncias de que servidores comissionados estariam atuando como motoristas particulares para afazeres domésticos da governadora. O abuso do poder político e econômico parece ser a regra, não a exceção.
Diante de uma fila explícita de secretários e empreiteiros em um comitê de campanha, a pergunta que não quer calar é: onde estão os fiscais da lei? A Polícia Federal e o Ministério Público precisam de um convite formal para fazer uma incursão de surpresa naquele prédio rosa?
As cartas estão na mesa e o jogo está sendo jogado à luz do dia. Depois, quando o escândalo estourar e as algemas começarem a cantar novamente, não digam que não foram avisados. O negócio é escandaloso. Fica a dica.
Um cheiro de rosas, um forte abraço e até a próxima porongada!
