Por que ter planos regionais de vacinação é uma má ideia para o Brasil

2–3 minutos

Carlos Madeiro

Colaboração para VivaBem, em Maceió

A ausência de um plano nacional de imunização contra a covid-19 levou a uma corrida paralela de estados e municípios, que já planejam ações alternativas para vacinar suas populações.

Deixando de fora o debate político, uma análise do ponto de vista técnico mostra que a descentralização é uma má ideia, que pode trazer problemas dos pontos de vista epidemiológico, logístico e até de desigualdades sanitárias entre locais ricos e pobres.

Se adotar um modelo de imunização descentralizado para a covid-19, o Brasil o fará pela primeira vez desde 1973, quando foi criado o PNI (Programa Nacional de Imunizações). Graças a ele, o país tem um calendário de vacinação gratuito e que se tornou modelo internacional, erradicando doenças como a varíola e a poliomielite.

“Qualquer ruptura nesse sistema será muito ruim”, avalia Renato Kfouri, ex-presidente e atual diretor da SBIM (Sociedade Brasileira de Imunizações). “Se um estado faz de um jeito; se usa uma vacina diferente de outro; se tem calendário diferenciado; isso cria enormes dificuldades em todos os sentidos”, completa.

O primeiro ponto ressaltado por ele é que a universalidade estará em risco. “Se isso ocorrer, quantas pessoas vão viajar para locais que têm vacina? Se você disponibiliza para quem mora em um local, ou para quem tem condições de viajar, já cria uma desigualdade tremenda”, diz.

Hoje, no PNI, apenas a operacionalização da armazenagem e da aplicação das doses competem a estados e municípios. “A definição de grupos etários, compra de vacinas, distribuição, definição de calendário, quem toma, quantas doses: isso sempre foi decidido pelo PNI.

Nós vacinamos quase 80 milhões de pessoas todo ano contra gripe em três meses, temos um sistema eficiente”, lembra Kfouri.

Por se tratar de uma pandemia, e pela escassez de imunizantes que deve ocorrer no mercado mundial, é provável que o Brasil compre não apenas um, mas mais tipos de vacina. Por si só, diz Kfouri, isso será um problema que precisará ser contornado com soluções ainda indefinidas —e se tornará ainda mais grave se não houver uma ação coordenada no país.

“A gente quer um número grande de vacinas, o maior possível; mas pulverizar isso em laboratórios diferentes cria dificuldades importantes. Uma solução pode ser regionalizar: a região Sul recebe uma vacina, o Norte recebe outra, por exemplo; pode ser também por grupos: profissionais de saúde recebem um tipo de vacina, os idosos outra. A gente pode discutir isso, mas tem de ser nacionalmente”, explica.

Veja a matéria completa aqui.

CORTES DO ESPINHOSO ?>
O enigma do eleitorado acreano: por que os candidatos de esquerda hesitam em se associar a Lula no Acre? Por Portal do Rosas | Rio Branco, AC As recentes pesquisas eleitorais divulgadas no Acre trouxeram dados intrigantes sobre as intenções de voto no estado, tanto para o Senado Federal quanto para a Presidência da República [00:22]. No entanto, mais do que os números brutos, o cenário traz à tona um paradoxo político: a timidez dos candidatos da oposição de esquerda em se assumirem abertamente como os nomes apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado [01:48]. A força da direita e o espaço para a oposição No cenário de primeiro e segundo turno para o Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro lidera com folga as intenções de voto no Acre, registrando até 57% no segundo turno e entre 39% e 52% no primeiro [01:11]. Do outro lado, o presidente Lula aparece com cerca de 25% a 30% da preferência dos eleitores acreanos [01:23]. Embora o eleitorado conservador represente a maioria no estado, uma fatia expressiva — perto de um terço do eleitorado — manifesta apoio direto ao atual presidente [01:38]. Trata-se de uma base sólida de votos que, teoricamente, seria um ativo valioso para qualquer campanha majoritária de oposição na região [01:48]. A estratégia do rótulo e o dilema dos candidatos De um lado do espectro político, alianças são ostentadas abertamente. O senador Márcio Bittar, que figura bem colocado nas intenções para o Senado [00:47], faz questão de se posicionar de forma contundente como o “candidato de Jair Bolsonaro” no Acre [02:18]. Em contrapartida, observa-se uma postura bem mais cautelosa entre os nomes que disputam o campo progressista ou majoritário de esquerda no estado, como Jorge Viana [00:59]. Há uma visível relutância ou timidez em colar a própria imagem à do presidente Lula na tentativa de captar votos de eleitores indecisos ou de centro [02:50]. Uma aposta arriscada? Essa hesitação levanta questionamentos no meio político local [01:48]. Ao tentar agradar a todos os lados e ocultar alianças nacionais, os candidatos correm o risco de perder a identificação direta com o eleitorado que apoia o governo federal [03:09]. Em disputas acirradas, assumir um lado com clareza e construir uma base fiel pode ser mais eficiente do que se omitir. Afinal, para o eleitorado lulista do Acre, a falta de posicionamento explícito pode soar como insegurança ou desacordo [03:55]. Resta saber se, com a aproximação das eleições, os candidatos da esquerda acreana decidirão encarar o rótulo e ir para o debate de peito aberto [03:27].
23/07/2026 Ler mais →