Autorizada a ser construída num dos piores momentos da história do Acre, ponte do Madeira é realidade

Autorizada a ser construída num dos piores momentos da história do Acre, ponte do Madeira é realidade

Indubitavelmente, há males que veem para o bem.

O dia histórico de hoje, propalado, propagandeado e declamado por muitos, nasceu de um momento difícil para a população acreana.

Há sete anos, o Acre ficou praticamente isolado dos demais estados brasileiros.

O Rio Madeira transbordou sobre a BR-364, em território rondoniense.

A situação exigiu que o petista Tião Viana, que governava o Acre à época, buscasse as mais variadas alternativas para o Estado não sofrer com o desabastecimento.

Diariamente, Tião Viana reunia a equipe de governo e, junto com empresários, debatia como encontrar novas rotas para os produtos essenciais chegarem.

Paralelo ao alagamento do Madeira, vários municípios acreanos também sofreram com enchentes, que desabrigaram milhares de pessoas.

Foi naquele momento difícil, em março de 2014, que a então presidente Dilma Rousseff aterrissou em solo acreano.

Dilma visitou abrigos e garantiu as condições necessárias para que as pessoas não ficassem desamparadas.

Antes, tinha sobrevoado a região do Madeira, em Rondônia.

Ao ver que o governo federal poderia contribuir ainda mais, Dilma garantiu que a ponte sobre o Rio Madeira seria, finamente, construída.

A licitação para o início da obra havia sido realizada em 2013, mas, de forma muito estranha, não havia iniciado.

Dilma Roussef cumpriu a palavra.

Assegurou os recursos necessários, mas teve o seu mandato interrompido em 2016, por golpe.

Hoje, aqueles que ajudaram a golpear a presidente que tomou a decisão de iniciar a obra comemoraram a inauguração da ponte.

É a vida.

É a política.

Nem sempre que começa é aquele que terá o seu nome registrado na placa da história.

A BR-364, de Porto Velho a Rio Branco, por exemplo, teve a contribuição gigante do atual deputado federal Flaviano Melo, mas quem inaugurou foi o governador Romildo Magalhães.

Tio do atual governador Gladson Cameli, o ex-governador Orleir Cameli carrega o mérito de ter iniciado a pavimentação até Cruzeiro do Sul e Brasileia.

No trecho até Cruzeiro do Sul, a obra parou em Sena Madureira.

Coube aos sucessores Jorge Viana, Binho Marques e Tião Viana tocarem a estrada em frente.

Jorge Viana também levou a BR-317 até Assis Brasil.

Tião Viana, aliás, foi o responsável, em outubro de 2011, pela inauguração da etapa final da 364.

Todas as pontes de Rio Branco a Cruzeiro do Sul foram feitas. Elas são os joelhos das estradas.

Há muita expectativa sobre a ponte do Rio Madeira.

Os discursos são os mais variados.

Mas há duas verdades.

A primeira é que a obra é fruto do trabalho de muitos para beneficiar a todos.

A segunda é que o tal desenvolvimento não estava esperando, do outro lado do rio, para entrar na ponte e chegar mais rápido no Acre.

Não há desenvolvimento sem politicas públicas, energia e sem atrativos capazes de encher os olhos, e os bolsos, dos investidores.

O governador Gladson Cameli, que posou com a bandeira do Acre na posição investida e levou tapa na mão do presidente Jair Bolsonaro, terá que começar a mostrar as suas próprias obras.

Se não mostrar, a balsa que durante anos foi usada no Abunã, poderá ser utilizada para levar políticos incompetente, inoperantes e mentirosos como Cameli para Manacapuru.

Isso acontecendo não seria um mal.

Faria um bem danado, pois ele mesmo vivendo dizendo que não precisa da politica.

Fotos: Diego Gurgel e Sérgio Vale

Leonildo Rosas

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