Frase: Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivos”, Eça de Queiroz
Olá, bora porongar?
Eu não assisto programa apresentado por pessoas como Luciano Huck.
E não é de hoje.
Ele é daqueles que usam a miséria alheia para posarem de bons moços.
Huck faz propaganda para bets, que tanto prejudicam à população.
Recentemente, esse divulgador de viciantes bets criticou o programa Bolsa Família.
Puro preconceito e incentivo à desinformação.
Adorei uma postagem da ganhadora do Big Brother Brasil, Ana Paula Renault.
Ela lembrou que o Bolsa Família é uma ponte para as pessoas sairem de situações difíceis.
E ponte não é morada para ninguém.
Ponte é passagem.
Ela lembrou que, nos último 10 anos, mais de 60% dos beneficiários deixaram o programa.
A publicação no X é imperdível.
Fome não é projeto de vida.
Incentivado pela publicação de Ana Paula, fui procurar mais informação no site Filhos do Bolsa Família, da Fundação Getúlio Vargas.
Vou compartilhar parte do que vi.
Segundo o estudo, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa em 2025.
A saída mais elevada para os que eram adolescentes em 2014: 68,8% na faixa de na faixa de 11–14 anos e 71,25% na faixa de 15–17 anos.
Nesse mesmo período, houve saída expressiva do CadÚnico e aumento da inserção no mercado formal.
Isso indica maior autonomia e mobilidade socioeconômica.s.
Ana Paula Renault destaca que esse talvez seja uma das políticas públicas mais mal interpretadas do Brasil.
E ela está certa.
Só que no portal UOL, o jornalista Leonardo Sakamoto enxerga as declarações de Luciano Huck como uma excelente oportunidade para desfazer equívocos, mentiras, desconhecimento ou preconceito a respeito de um dos mais importantes programas de renda mínima do mundo.
Ao comentar sobre o município de Senhor do Bonfim (BA), no 5º Fórum Esfera, Huck disse:
“Ao concentrar 56% da sua economia no Bolsa Família, você não gera nenhum estímulo para elas saírem. Na verdade, elas queriam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa ad aeternum”.
Huck nasceu em berço de ouro não sabe o que é passar dificuldade.
Ele parte do pressuposto equivocado de que a maioria das pessoas que recebe o Bolsa Família é preguiçosa e prefere viver apenas de grana do governo.
Na opinião de Sakamoto, para além do preconceito, casos como estes mostram desconhecimento da economia.
Melhores condições de salário e emprego é que devem atrair empregados, não um aumento de vulnerabilidade causado pela redução de programas sociais.
A esmagadora maioria dos beneficiários do Bolsa trabalha, sim, e não quer ficar na miséria, mas precisa de uma mãozinha para viver enquanto isso não é possível — afinal, nem todos tiveram acesso à herança ou às mesmas oportunidades.
Dados da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome apontam que, com a abertura de um negócio próprio, a consolidação de um emprego formal e o consequente aumento da renda, 2.069.776 famílias haviam deixado o Bolsa Família entre janeiro e outubro do ano passado.
Dessas, 1,3 milhão de famílias saíram por causa do aumento dos ganhos totais no domicílio, enquanto quase 727 mil concluíram o período na regra de proteção, mecanismo que permite que o beneficiário continue recebendo metade do valor do Bolsa Família por até 12 meses, mesmo após superar o limite de R$ 218 mensais per capita e desde que não ultrapasse R$ 706.
Essa regra existe para garantir um processo de saída em que a família esteja amparada diante da possibilidade de perda do emprego ou de fracasso do negócio.
Os que preferem viver na pobreza, recebendo benefício, em vez de buscarem trabalho existem, mas são um ínfimo grupo.
Vale lembrar que o valor médio do Bolsa pago a 18,9 milhões de famílias em abril deste ano foi de R$ 678,22. Achar que a maioria esmagadora dos brasileiros prefere viver de grana fácil é projeção de um pensamento rentista que quer viver de juros.
O IBGE divulgou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro foi de 5,8%, a menor para esse período desde 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Essa taxa baixa impacta no custo da mão de obra mais do que os programas sociais.
De maneira geral, se está faltando gente para determinadas funções, o setor privado precisa melhorar os salários e as condições que paga à base da pirâmide. E não exigir que eles aceitem trabalhar por qualquer coisa ou cortar a grana que os mais pobres ganham para não passar fome.
No Acre, temos 125.040 beneficiados pelo Bolsa Família.
Isso significa a injeção de R$ 84,8 milhões todos os meses na economia.
Pensem num estado pobre como o nosso sem esse dinheiro.
Ah, segundo matéria publicada em site local, ainda há mais de 12 mil famílias na espera do benefício.
