Candidatos usam Orçamento Secreto como propaganda nas campanhas eleitorais

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Publicado por Caroline Stefani
-Vice-líder do governo Jair Bolsonaro (PL) no Congresso e relator do Orçamento Geral da União em 2021, Márcio Bittar foi o campeão na indicação de emendas do relator nesse período, e agora tenta converter o acesso a esses recursos em capital eleitoral para disputar o pleito deste ano.

“Mais de R$ 640 milhões destinados ao Acre. Campeão de recursos para o Estado!”, se vangloria o senador Márcio Bittar (União-AC) em seu material de campanha para a disputa pelo governo do Acre nestas eleições. Com informações do Globo.

O Orçamento Secreto, que surgiu sob críticas de falta de transparência e sem que fosse possível identificar os verdadeiros autores das emendas, agora chega à eleição com os parlamentares bolsonaristas reivindicando a paternidade de emendas.

Bittar informou ao STF ter destinado uma quantia de R$ 468,2 milhões em emendas de relator. No Portal da Transparência aparecem ainda R$ 51 milhões em emendas individuais. A soma desses valores é inferior ao total de R$ 640 milhões em recursos anunciados na sua propaganda. Patinando na quinta colocação na corrida ao governo do Acre, Bittar vem divulgando essa quantia de emendas como capital político para atrair o eleitorado.

Outro exemplo é o presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, que se descreveu em seu site como “o deputado que conquistou mais de R$500 milhões para São Paulo”. Porém, apenas emendas que somam em torno de R$ 47 milhões estão detalhadas no Portal da Transparência. Após a decisão do STF, Pereira declarou ter indicado R$189 milhões em 2020 e 2021. Em sua página oficial ele detalha parte dessas emendas informando o valor destinado, a cidade e o tipo de projeto beneficiado.

Ainda entre os maiores contemplados pelo orçamento secreto, o senador Marcos Rogério (PL), atualmente em terceiro lugar na disputa para o governo em Rondônia segundo as pesquisas, diz em suas peças de propaganda que ao longo de seus mandatos destinou R$ 755 milhões em emendas que beneficiaram 52 municípios do estado, valor bem maior que os R$108 milhões declarados no site da transparência, além dos R$184 milhões indicados em 2020 e 2021 através de emendas de relator.

Em terceiro lugar nas pesquisas sobre a disputa pelo governo do Tocantins, o senador Irajá Abreu (PSD) dedicou uma de suas publicidades de TV para promover os recursos destinados por seus mandatos para o estado. A propaganda anuncia que ele dedicou R$800 milhões para todas as cidades do Tocantins. O valor é superior ao montante da soma dos R$111 milhões declarados na Transparência com os R$106 milhões que ele assumiu ter indicado via Orçamento Secreto.

O deputado federal e candidato à reeleição em Minas Luis Tibé (Avante) tem como um dos principais motes de campanha as verbas orçamentárias indicadas por ele. Em peças de propaganda ele diz que “destinou mais de 400 milhões de reais em emendas para municípios mineiros, de todas as regiões do estado”. O valor é quase o dobro da soma das emendas detalhadas no Portal da Transparência, R$113 milhões, com os R$111 milhões que ele informou ter recebido de RP9, rubrica do Orçamento Secreto, em 2020 e 2021.

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CORTES DO ESPINHOSO ?>
O enigma do eleitorado acreano: por que os candidatos de esquerda hesitam em se associar a Lula no Acre? Por Portal do Rosas | Rio Branco, AC As recentes pesquisas eleitorais divulgadas no Acre trouxeram dados intrigantes sobre as intenções de voto no estado, tanto para o Senado Federal quanto para a Presidência da República [00:22]. No entanto, mais do que os números brutos, o cenário traz à tona um paradoxo político: a timidez dos candidatos da oposição de esquerda em se assumirem abertamente como os nomes apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado [01:48]. A força da direita e o espaço para a oposição No cenário de primeiro e segundo turno para o Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro lidera com folga as intenções de voto no Acre, registrando até 57% no segundo turno e entre 39% e 52% no primeiro [01:11]. Do outro lado, o presidente Lula aparece com cerca de 25% a 30% da preferência dos eleitores acreanos [01:23]. Embora o eleitorado conservador represente a maioria no estado, uma fatia expressiva — perto de um terço do eleitorado — manifesta apoio direto ao atual presidente [01:38]. Trata-se de uma base sólida de votos que, teoricamente, seria um ativo valioso para qualquer campanha majoritária de oposição na região [01:48]. A estratégia do rótulo e o dilema dos candidatos De um lado do espectro político, alianças são ostentadas abertamente. O senador Márcio Bittar, que figura bem colocado nas intenções para o Senado [00:47], faz questão de se posicionar de forma contundente como o “candidato de Jair Bolsonaro” no Acre [02:18]. Em contrapartida, observa-se uma postura bem mais cautelosa entre os nomes que disputam o campo progressista ou majoritário de esquerda no estado, como Jorge Viana [00:59]. Há uma visível relutância ou timidez em colar a própria imagem à do presidente Lula na tentativa de captar votos de eleitores indecisos ou de centro [02:50]. Uma aposta arriscada? Essa hesitação levanta questionamentos no meio político local [01:48]. Ao tentar agradar a todos os lados e ocultar alianças nacionais, os candidatos correm o risco de perder a identificação direta com o eleitorado que apoia o governo federal [03:09]. Em disputas acirradas, assumir um lado com clareza e construir uma base fiel pode ser mais eficiente do que se omitir. Afinal, para o eleitorado lulista do Acre, a falta de posicionamento explícito pode soar como insegurança ou desacordo [03:55]. Resta saber se, com a aproximação das eleições, os candidatos da esquerda acreana decidirão encarar o rótulo e ir para o debate de peito aberto [03:27].
23/07/2026 Ler mais →