Rio Branco (AC) — A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (21/9), as Operações Ptolomeu IV e Umbra. As ações visam desarticular esquemas de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos no Acre, além de desmantelar um esquema clandestino de contrainteligência montado para monitorar a própria PF em benefício de investigados.
Em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), a Operação Ptolomeu IV apura irregularidades na construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC). Uma auditoria da CGU identificou superfaturamento por inexecução parcial avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão — valor pago por serviços que não foram executados.
As apurações apontam que o montante desviado custeou despesas pessoais e propinas a agentes públicos, com registros de saques vultosos em dinheiro vivo e transações financeiras atípicas. A investigação mira também a segunda empreiteira contratada para finalizar o projeto: há fortes indícios de sucessão empresarial de fachada para manter as fraudes ativas, envolvendo antigos alvos da Operação Ptolomeu.
Paralelamente, a Operação Umbra revelou a existência de um núcleo organizado para espionar a rotina da Polícia Federal, monitorando viaturas, agentes e deslocamentos táticos para antecipar ações judiciais e esvaziar seu impacto. O esquema contava com o vazamento indevido de dados sigilosos praticado por um ex-prestador de serviços terceirizado e por um policial federal.
Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos estados do Acre (Rio Branco e Cruzeiro do Sul), Paraná (Maringá) e Santa Catarina (Navegantes). As ordens judiciais incluíram o sequestro de bens para ressarcimento aos cofres públicos e medidas cautelares rigorosas, como o afastamento de funções públicas, retenção de passaportes em até 24 horas e proibições de contato entre os investigados, de frequentar órgãos públicos e de deixar as cidades e o país.
Durante as diligências, os policiais apreenderam cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo e prenderam três pessoas em flagrante por posse ilegal de armas de fogo. Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e obstrução de investigação penal.





