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Lula rebate associação com crise no STF: “eu fui preso por essa Suprema Corte”

Presidente responde a tentativas da oposição de vinculá-lo a Alexandre de Moraes e cobra apuração sobre R$ 130 milhões ligados ao caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu duramente, nesta quarta-feira (16), às investidas da oposição e de setores da imprensa que tentam associar a sua figura ao ministro Alexandre de Moraes e à crise institucional que envolve o STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito das investigações do caso Banco Master. Durante entrevista concedida ao programa Desce a Letra Show, transmitido pelo YouTube, o chefe do Executivo relembrou seu próprio histórico com a Corte e refutou qualquer ilação sobre influência política nos magistrados.

Ao rebater a narrativa construída por adversários políticos, Lula destacou sua trajetória recente com o Judiciário, com a sua prisão injusta em 2018, e questionou a coerência das acusações formuladas pela família Bolsonaro. “Eu que fui preso por essa Suprema Corte e fiquei preso 580 dias… O que eles têm que explicar é cadê os R$ 130 milhões que ele [Flávio Bolsonaro] pegou do Vorcaro para o filme do seu pai (Cavalo Azarão), aquele filme mequetrefe. Eu quero saber. O Flávio pegou dinheiro, R$ 130 milhões. Não foi R$ 13. Não foi R$ 130 mil. Não foi R$ 1,3 milhão. Foram R$ 130 milhões. Para fazer um filme. E não explica onde está esse dinheiro”, cobrou o presidente.

Acusações de conspiração e desvio de recursos

Lula denunciou que a movimentação de capital visava financiar articulações políticas no exterior contra as instituições brasileiras. “Era um fundo que saía de não sei de onde para ir para os Estados Unidos, para sustentar o irmão dele que está lá tramando golpe contra o Brasil. E se ele voltar ao Brasil vai ser preso, porque traidor da pátria tem que ser preso. Ele está vendendo o Brasil aos interesses americanos. Isso é da nossa responsabilidade, nós temos que falar o que eles são. É quase uma quadrilha, não uma família. E cabe ao PT colocar isso na ponta da língua para todo mundo dizer. O povo brasileiro não pode — em benefício do próprio povo brasileiro — escolher alguém desqualificado para presidir esse país”, afirmou.

Obsessão contra o STF e responsabilidade por indicações

O presidente explicou que os constantes ataques promovidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ministro Alexandre de Moraes representam uma tentativa de desviar o foco de investigações financeiras e criminais graves. “Você veja como é a mentira. Nós estamos vendo aquele julgamento na Suprema Corte. Ontem o meu adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de Moraes e isso e aquilo. A obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre de Moraes por causa do Banco Master. Não é por isso que ele tem raiva, porque ele sabe que ele tem o rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa”, apontou.

Segundo Lula, o verdadeiro motivo do temor da oposição em relação ao STF envolve a atuação do tribunal em casos de grande repercussão nacional. “A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle. A bronca dele é porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro. Esse é o pavor dele. E a bronca dele é porque essa apuração que está tendo na Suprema Corte vai descobrir quem é de verdade que está metido nisso”, reforçou.

O chefe do Executivo lembrou que a aprovação de ministros cabe ao Senado Federal e ressaltou que não participou da escolha dos magistrados citados pela oposição. “Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele [Flávio Bolsonaro] era senador. Ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kassio [Nunes Marques]. Ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto, ele é o culpado, não eu”, frisou.

Fraudes na Previdência e rigor da lei

Lula desmentiu com veemência as tentativas de associar sua gestão às fraudes identificadas na Previdência Social, assinalando que o esquema foi montado no governo anterior e desarticulado pelo atual governo. “Por exemplo, eles criaram a quadrilha do INSS. Eles criaram a quadrilha no governo Bolsonaro. Nós, em dois anos, descobrimos a quadrilha, já prendemos quase todos eles, já tomamos bens de quase R$ 6 bilhões, já pagamos quase 5 milhões de aposentados, investindo R$ 3,5 bilhões para pagar o roubo que eles fizeram na Previdência Social. E eles tentam passar a ideia de que é nosso. Eles montaram a quadrilha, nós prendemos”, disse.

Ao comentar ilações dirigidas a seus familiares, o presidente declarou: “‘Ah, o filho do Lula é sócio do Careca [do INSS]’. E quem tem um escritório junto com o Careca é ele, o Flávio. Então nós temos que desmontar essa coisa”.

O presidente defendeu o cumprimento das leis e o devido processo legal para qualquer cidadão, independentemente de cargo. “E eu quero dizer em alto e bom som: todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo, com direito de defesa. Mas se a pessoa cometeu um delito a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin… Essa é minha tese”, ressaltou.

Defesa do sistema eleitoral e da democracia

Ao concluir, Lula destacou o papel de Alexandre de Moraes na condução das eleições de 2022 à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e defendeu a integridade do sistema eletrônico de votação. “Acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à democracia brasileira. Ele foi presidente do TSE na eleição em que eu ganhei. Ele sabe e o Brasil sabe a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras, que é o processo eleitoral mais moderno e mais rápido. Um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com 160 milhões de eleitores, e você sabe o resultado duas horas depois de acabar a eleição. Se fosse possível roubar na urna, eu não teria sido presidente. Você acha que eu ia ganhar do Serra? Do Alckmin? Jamais. A urna é uma coisa muito séria e ela não está subordinada à internet. Por isso não há manipulação”, finalizou.

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