RIO BRANCO, AC — Um protesto legítimo de estudantes por melhorias no transporte público em Rio Branco terminou em violência física em frente à sede da Prefeitura. O episódio gerou forte indignação pública e reações de repúdio por parte de instituições locais, evidenciando a crise que assola a mobilidade urbana na capital acreana.
A manifestação e a violência
Estudantes da capital foram até o prédio da Prefeitura de Rio Branco para reivindicar um transporte coletivo de qualidade. Ao tentarem entrar no edifício público para serem ouvidos, os manifestantes foram impedidos e agredidos fisicamente.
Após o ocorrido, o prefeito Alysson Bestene desceu para falar com os manifestantes e pediu desculpas pelo ocorrido, afirmando que a violência não reflete a marca de sua administração. Contudo, a atitude foi duramente criticada pelo jornalista do Portal do Rosas, que destacou que “desculpa não é band-aid” para curar as marcas de agressões físicas sofridas pelos jovens.
A crise do transporte público em Rio Branco
A indignação dos estudantes se justifica pelo sucateamento histórico do sistema de transporte coletivo no Acre. Segundo as informações veiculadas, a frota ideal para circulação na cidade deveria ser de aproximadamente 140 a 150 ônibus, mas atualmente menos de 50 veículos estão em operação. Enquanto a população sofre à espera de novos ônibus, o serviço segue classificado como de péssima qualidade.
O histórico da crise também remete à gestão do ex-prefeito Tião Bocalom, atual pré-candidato ao governo estadual. Na época, Bocalom prometeu “abrir a caixa preta” do transporte coletivo. No entanto, a crítica é de que a promessa se transformou em um “buraco azul sem fundo” com alto investimento de dinheiro público sem o retorno esperado para a população, enquanto empresas do setor continuam lucrando.
Reações institucionais e silêncio político
O episódio de violência provocou reações imediatas:
Universidade Federal do Acre (UFAC): A reitora da instituição emitiu uma nota oficial de solidariedade aos estudantes agredidos.
Tribunal de Contas do Estado (TCE): Manifestou-se de forma ainda mais firme, emitindo uma nota de repúdio contra as agressões desferidas aos manifestantes.
Por outro lado, o cenário político local foi alvo de severas críticas. Enquanto a população enfrenta problemas graves no transporte, a Câmara Municipal tem voltado seus esforços para pautas consideradas corporativistas ou de interesse privado, como o reajuste do vale-saúde dos parlamentares para R$ 5.000 e discussões do Plano Diretor que supostamente beneficiam pequenos grupos de empresários em detrimento do meio ambiente.
O protesto dos estudantes reacende o debate sobre o direito de manifestação na capital e cobra das autoridades municipais ações concretas que vão além de pedidos formais de desculpas.
Para assistir à análise completa e aos registros do protesto, acesse o vídeo original no YouTube: Portal do Rosas – Pedido de desculpa não é band aid, prefeito Alysson.

