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Candidatura de Mailza Assis perde apoios nas maiores cidades do Acre

A candidatura da governadora em exercício, Mailza Assis, registrou uma perda expressiva de sustentação política nesta semana. Em um curto intervalo de tempo, a chefe do Executivo estadual perdeu o apoio formal dos prefeitos das duas maiores cidades do Acre: Alysson Bestene, de Rio Branco, e Zequinha Lima, de Cruzeiro do Sul. O distanciamento das lideranças ocorre em meio ao baixo desempenho de Mailza nas pesquisas de intenção de voto e aos atritos gerados pela reestruturação da articulação política do governo.

Na última terça-feira, o cenário eleitoral da governadora sofreu uma perda direta. O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, solicitou o afastamento do Partido Progressista (PP) para cumprir o compromisso assumido de apoiar a candidatura de Tião Bocalom ao governo estadual, pelo PSDB. A movimentação reflete a prática de políticos experientes, que mudam suas alianças de acordo com o cenário mais favorável para a manutenção de seus mandatos, sem que isso seja considerado uma traição no meio político.

As dificuldades eleitorais de Mailza Assis estão atreladas ao seu histórico e às suas decisões administrativas. Ela chegou aos cargos de senadora e governadora por sucessão, sem ter recebido votos diretos como titular nessas disputas. Ao assumir o governo, alterou a equipe deixada por seu antecessor, Gladson Cameli — que se encontra inelegível devido a acusações de desvio de recursos públicos —, desarticulando o grupo político que já conhecia a rotina da máquina governamental.

A crise foi acentuada pela escolha de seu marido, Madson Cameli, para atuar como o principal articulador político do governo. Descrito como inexperiente, ele isolou peças importantes da gestão anterior, a exemplo de Jonathan Donadoni, resultando em um governo sem organização interna em menos de dois meses.

O principal motivador para a evasão de aliados, no entanto, é o número desfavorável nas pesquisas. A governadora ocupa as últimas posições nos levantamentos de intenção de voto, sem registrar crescimento. A situação contrasta com a eleição anterior de Zequinha Lima em Cruzeiro do Sul. Naquela ocasião, Zequinha iniciou a disputa com índices inferiores a 20%, enquanto Jéssica Sales (MDB) detinha cerca de 70%. Contudo, a equipe do prefeito utilizou a estrutura disponível e conseguiu elevar os números para disputar a eleição voto a voto.

Com a campanha de Mailza, não houve avanço nas pesquisas. Diante da estagnação, Zequinha Lima decidiu retirar seu apoio e aderir à candidatura do senador Alan Rick. A equipe de articulação do prefeito de Cruzeiro do Sul calculou que a demora em declarar esse apoio poderia causar danos eleitorais, especialmente caso o MDB de Jéssica Sales formasse uma aliança com os Republicanos de Alan Rick. O anúncio antecipado garante o espaço político de Zequinha visando a sua própria sucessão em 2028.

Diante do desarranjo na base governista, a tendência é que as chapas de deputados federais e estaduais do Partido Progressista percam integrantes, seja por desistência ou por apoio informal a Alan Rick, que desponta como o candidato com mais viabilidade eleitoral no momento. O fato de Alan Rick atrair esses aliados, porém, significa que ele herdará a equipe e a estrutura do governo de Gladson Cameli, o que trará dificuldades caso ele tente implementar mudanças na gestão do estado. Com a rápida perda de sustentação política, o questionamento atual é se Mailza Assis manterá o registro de sua candidatura até o período das eleições.

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