No xadrez implacável da política acreana, um peão acaba de ser sacrificado. Mas o que acontece quando essa peça sabe demais?
No último fim de semana, a governadora em exercício, Mailza, assinou a exoneração de Júlio César, o “Roxinho”, do cargo de diretor da quase extinta Cohab. A decisão foi publicada no Diário Oficial e já causa uma grande repercussão nos bastidores. Imediatamente, começaram a espalhar a narrativa de que a demissão ocorreu apenas porque ele estaria sendo investigado pela Polícia Federal.
Mas cuidado com as meias-verdades. A Polícia Federal não tem como investigar a Cohab diretamente, uma vez que a instituição opera com recursos próprios do Estado. A verdadeira investigação aponta para um escândalo muito maior: a temida Operação Ptolomeu.
O verdadeiro motivo do pânico
Júlio César, conhecido por ser extremamente próximo ao ex-governador Gladson Cameli, teve seu sigilo quebrado e foi, de fato, investigado no âmbito da Operação Ptolomeu, deflagrada em dezembro de 2021. O relatório da Polícia Federal cita sua participação como organizador da Expoacre e aponta movimentações financeiras vinculadas à empresa Mourão.
A dimensão do escândalo assusta:
- A Operação Ptolomeu foi desmembrada em nove inquéritos.
- O ex-governador Gladson Cameli já foi julgado e condenado, no primeiro caso, a uma pena de 25 anos e nove meses de cadeia.
- Ele também já virou réu em um segundo processo.
- Faltam ainda sete inquéritos para a Polícia Federal fechar e enviar ao Ministério Público Federal.
- É nesse cenário de tensão que o Ministério Público Federal deverá apresentar denúncias ao STJ. No STJ, tramitam apenas os processos de Gladson Cameli, enquanto os demais denunciados enfrentarão a Justiça acreana.
A Hipocrisia no Poder
A atitude da governadora em exercício levanta sérios questionamentos. Se a gestão atual estivesse, de fato, preocupada com a lisura e a seriedade do governo, não estaria “mendigando apoio” do ex-governador condenado.
O inquérito ainda corre em segredo de justiça, e muitos detalhes permanecem ocultos. Mas a exoneração deixa uma pergunta explosiva no ar, que tira o sono de muita gente poderosa:
Será que o “fiel escudeiro” ficará quieto após ser descartado?

