Na manhã desta quinta-feira, 5 de fevereiro, circulou nas redes sociais a informação de que a Polícia Federal teria cumprido mandado de busca e apreensão na residência do governador do Acre, Gladson Cameli. Segundo relatos não oficiais, vizinhos da mansão identificaram pelo menos duas viaturas da PF no local.
A suposta operação ocorreria em um momento crítico para o governador, que aguarda a retomada do julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) previsto para 2026. Cameli tornou-se o primeiro governador da história do Acre a se tornar réu naquela corte por crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Histórico de investigações
Esta não seria a primeira vez que a residência do governador recebe a visita da Polícia Federal. Em dezembro de 2021, durante a primeira fase da Operação Ptolomeu, o apartamento de Gladson Cameli foi alvo de busca e apreensão, quando foram cumpridos 41 mandados em três estados.
Em março de 2023, uma nova operação da PF atingiu a cúpula do governo acreano com 89 mandados de busca e apreensão em sete estados, resultando no bloqueio de R$ 120 milhões em bens, incluindo aeronaves, casas e apartamentos de luxo. Na ocasião, o governador foi proibido de deixar o país e teve que entregar seu passaporte.
Processo no STJ
A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ, votou em dezembro de 2025 pela condenação de Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de reclusão em regime inicial fechado, além da perda do mandato. O julgamento foi suspenso após pedido de vista e deve ser retomado ainda em 2026, em pleno ano eleitoral.
A defesa do governador nega todas as acusações e afirma que apresentará provas de inocência. Em dezembro de 2025, o STF anulou parte das provas produzidas pela Operação Ptolomeu, decisão comemorada pelo governador como reconhecimento de ilegalidades na investigação.
Contexto atual
Gladson Cameli participou normalmente, nos dias 3 e 4 de fevereiro, das sessões de abertura dos trabalhos legislativos de 2026 na Assembleia Legislativa do Acre, onde apresentou sua última mensagem governamental, agradecendo ao parlamento e fazendo um balanço de sua gestão. Seu mandato se encerra no final de março de 2026.
Até o momento da publicação desta reportagem, não houve confirmação oficial por parte da Polícia Federal, do governo estadual ou do STJ sobre uma nova operação realizada hoje na residência do governador.

