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Fiscalização do TCE-AC identifica condições precárias em escola da zona rural de Rio Branco

Segundo funcionário, servidores da escola tiram do próprio bolso dinheiro para comprar itens para unidade. Auditores vão produzir relatório.

“Às vezes a gente tira do bolso para comprar, para não deixar as crianças sem”. Esse é o desabafo de Sílvio* (nome fictício), um funcionário da Escola de Ensino Fundamental Boa União. A unidade, localizada na Vila Acre, em Rio Branco, recebeu uma visita de auditores de controle externo do Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC) após receberem informações sobre as más condições do espaço.

A escola, atualmente, atende aproximadamente 400 alunos divididos em três turnos. Segundo a direção, a unidade era administrada originalmente pela Prefeitura de Senador Guiomard passando para a tutela de Rio Branco a partir de 2016. A documentação da unidade, entretanto, nunca foi regularizada.

“[Por causa disso,] Não tem Conselho Escolar, não tem CNPJ. A gente tem que se virar porque não tem dinheiro. Há uma multa do CNPJ que já está em R$ 3 mil na Receita Federal e ninguém quer pagar e aí a gente perde recursos federais”, lamenta Sérgio* (nome fictício), outro servidor da escola.

Condições precárias

Durante a fiscalização, os auditores do Tribunal de Contas identificaram ainda diversos problemas na estrutura da escola entre elas:

Outro ponto que chamou a atenção dos auditores é que apesar da unidade ter recebido kits de robótica e notebooks da prefeitura, os equipamentos permanecem sem utilização desde que foram entregues, há quase dois anos, porque não foi oferecido treinamento para os servidores e a escola não possui internet.

Já no Atendimento Educacional Especializado, espaço para crianças com necessidades especiais, a maioria do material, segundo funcionários, foi comprado pela professora. “O médico não compra o material dele. Isso não é justo”, criticou Sílvio*

Missão do TCE

Todas as situações encontradas vão fazer parte de um relatório que será encaminhado ao pleno do Tribunal de Contas e a Secretaria de Educação de Rio Branco.

“Não foram poucos problemas que encontramos aqui, principalmente em relação a estrutura física e regularização da escola. São questões que precisam ser sanadas para que a escola se desenvolva com mais autonomia”, enfatizou a auditora Caroline Matos da 7ª Coordenadoria Especializada de Controle Externo – Educação e Gênero.

Ela destacou ainda a importância do trabalho desenvolvido pelo Tribunal na melhoria da educação para a população do estado. “A missão do TCE é fazer esse levantamento das irregularidades, apurar os responsáveis e resolver o problema”, concluiu.

*Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados

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