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Governador do Acre sofre nova derrota no STJ em tentativa de suspender ação penal

Por Chico Araújo

O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), conhecido pelo apelido “Dançarino” devido ao hábito de divulgar vídeos nas redes sociais dançando em festas patrocinadas por seu governo, como a Expoacre, sofreu mais um revés judicial. 

Nesta quarta-feira, 3, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, por unanimidade, o Agravo Regimental apresentado por sua defesa, que tentava suspender a Ação Penal 1067/DF. 

Cameli é réu por organização criminosa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações, no âmbito da Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal em 2019.

Nos últimos dias, Cameli realizou um périplo em Brasília, buscando apoio político para adiar o julgamento da ação penal no STJ. No Acre, especulou-se sobre um possível “acordão” para salvar seu mandato, mas a narrativa foi desmentida como uma mera estratégia de propaganda do governo acreano, sem impacto nas decisões judiciais.

Essa é a terceira tentativa frustrada da defesa de Cameli para paralisar o processo. Os advogados buscavam suspender a ação até o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre o Recurso Extraordinário 1.537.165/SP (Tema 990), que discute a competência para julgar crimes de corrupção ligados a delitos eleitorais, além de questionarem o compartilhamento de dados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) sem autorização judicial, vinculado ao Tema 1.404 do STF. A relatora, ministra Nancy Andrighi, refutou os argumentos, destacando que o STJ já validou o compartilhamento de dados do COAF, tornando a questão irrelevante para o Tema 1.404. Em 19 de agosto, Andrighi já havia negado a suspensão do processo.

A Operação Ptolomeu investiga um suposto esquema de desvio de R$ 150 milhões em recursos públicos durante a gestão de Cameli. As apurações apontam o governador como líder de uma organização criminosa que fraudava licitações, como no contrato de R$ 18 milhões com a Murano Construções Ltda., com sobrepreço de R$ 8 milhões e superfaturamento de R$ 2,9 milhões, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU). Os recursos teriam beneficiado familiares de Cameli, incluindo a compra de um apartamento de R$ 5 milhões em São Paulo e um veículo de luxo.

Agora, Andrighi finalizará seu voto, que será revisado pelo ministro João Otávio de Noronha. O processo será incluído na pauta da Corte Especial do STJ, com julgamento previsto para 2025, sem data definida. A insistência de Cameli em permanecer no cargo mantém o caso em evidência no Acre, onde a sociedade acompanha o desfecho, que pode impactar o cenário político do estado e reforçar a importância da transparência na gestão pública.

Para mais detalhes, o livro ”Sombras do Poder: As vísceras da corrupção no Acre expostas na Operação Ptolomeu”, do jornalista e advogado Chico Araújo, lançado em abril de 2025, está disponível na Editora Uiclap https://loja.uiclap.com/titulo/ua93569 ou em versão autografada pelo WhatsApp (61) 98327-7470.

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