Não se sabe se é por preguiça ou meramente para fazer a política do Abelardo Barbosa, o Chacrinha.
Ícone da comunicação televisiva brasileira, Chacrinha dizia que estava ali para confundir e não para explicar.
Parece ser essa a intenção de parte da imprensa local.
Dito isso, vamos falar de um importante julgamento previsto para acontecer nesta quinta-feira, no Supremo Tribunal Federal.
Está na pauta e o STF vai julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade que trata da distribuição das vagas das sobras eleitorais.
A ADI foi propostas pelo Podemos e pelo PSB.
Inicialmente, se forem aceitos os argumentos, sete deputados federais perderão os mandatos.
Mas a história não se resume a este número.
Na verdade, refeitas as contas, estima-se que 49 deputados ficarão sem mandato e outros 49 ocuparão as suas cadeiras.
Isso significa quase 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados.
A ADI discute a distribuição das sobras eleitorais na definição de cadeiras dos candidatos às eleições proporcionais, o que significa que, dependendo do resultado do julgamento, as mudanças se estenderão às assembleias legislativas.
Pela legislação, um partido recebe as sobras se alcançar o mínimo de 80% do quociente eleitoral e um candidato receba nas urnas pelo menos 20% desse quociente.
O que o PSB e o Podemos pedem é que todos os partidos possam dividir as sobras eleitorais, sem levar em conta o quociente eleitoral.
Pela quantidade de gente que pode sair e entrar, logo se percebe que não se trata de coisa fácil.
Bem informado, o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, trouxe a informação de que o presidente da Câmara, Arthur Lira, entrou em campo para que o julgamento não aconteça.
“Arthur Lira anda irritado com a ADI. Além de considerar uma interferência indevida, ele avalia que o STF estaria alterando uma regra aprovada pelo TSE para as eleições de 2022”, escreveu Jardim.
O presidente da Câmara já teria conversado com alguns ministros.
Ele trabalha para alguém pedir vista, a fim de adiar o julgamento por mais alguns meses.
Já há três ministros que votaram.
Antes de se aposentar, Ricardo Lewandowiski votou a favor da ADI, mas com os efeitos a partir das eleições deste ano.
Gilmar Mendes e Alexandre Moraes querem os efeitos a partir das eleições de 2022.
André Mendonça pediu vistas.
Se a ADI tiver a maioria dos votos, no Acre ficarão sem mandato Ghelen Diniz, Eduardo Velloso e Roberto Duarte.
Entram Perpétua Almeida, Minoru Kinpara e Jéssica Sales.
Convenhamos, a nossa representação melhorará muito.
Expliquei ou confundi?
Fui.
Um forte abraço e um cheiro do Rosas.

