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Ministra Nancy Andrighi nega afastamento de Gladson Cameli, no presente momento

PF pediu a prisão do pai e do irmão do governador do Acre

Vazou a decisão da ministra do Superior Tribunal de Justiça Nancy Andrighi sobre a Operação Ptolomeu.

Este Portal teve acesso aos autos.

A Polícia Federal (PF) pediu o afastamento do governador Gladson Cameli (Progressista).

O Ministério Público Federal (MPF) não concordou.

A ministra Nancy Andrighi não concedeu ao afastamento.

Ao menos por enquanto.

O relatório da PF , chancelado quase na totalidade pelo MPF, é devastador para Cameli.

Aponta indicios fortes de crimes.

A ministra escreveu que, embora haja fundados indícios de que o governador seja integrante de organização criminosa investigada no  Inquérito, não se revela necessário, no presente momento, o afastamento.

Andrighi, disse, ainda, que o governador, supostamente, foi beneficiário de “grande soma de recursos públicos desviados do erário e que são incorporados ao seu patrimônio por meio da apontada prática de crimes de lavagem de dinheiro”.

“Verifica-se que a fase inquisitorial tem transcorrido normalmente, sem interferência do citado investigado na colheita de elementos indiciários, sendo necessária a verticalização da apuração, a fim de que fique devidamente esclarecida a atuação do governador no panorama até então”, escreveu a ministra

Os investigadores salientaram que a ex-esposa de Cameli, Ana Paula Cameli, é  irmã do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Nicolau Júnior.

“Ou seja, o governador é cunhado do presidente do Poder Legislativo do Acre, razão pela qual a decretação da prisão preventiva justifica-se no presente caso. É possível que apenas o afastamento do governador não seja suficiente para cessar sua influência política, considerando os laços estreitos com o chefe de outro poder”, escreveram os investigadores.

A decisão da ministra foi lastreada nos inúmeros relatórios e demais peças informativas que compõem  o inquérito.

O objetivo das investigações  foi  de demonstrar como o governador Gladson Cameli estruturou uma complexa e articulada rede de pessoas físicas e jurídicas, com atuação preponderante na execução de fraudes licitatórias, superfaturamento de obras públicas, Crimes contra Administração Pública e Lavagem de Capitais.

Gladson Cameli foi acusado de frustrar ou fraudar certames licitatórios,  Peculato, na modalidade Superfaturamento, Corrupção passiva,  Lavagem de capitais e  por integrar ORCRIM voltada à prática dos referidos crimes.

A PF também pediu as prisões preventiva do pai do governador Eládio Messias, Cameli e do irmão governador Gledson Cameli, alegando que somente assim seria possível garantir as ordens pública e econômica.

“A prisão preventiva é a única medida capaz de fazer cessar a atividade delinquente, que já foi responsável por milhões de reais consumidos a título de superfaturamentos e corrupção”.

Nancy Andrighi negou, alegando que “a prisão preventiva configura ultima ratio e que as medidas cautelares ora decretadas têm o condão de, aparentemente, assegurar a ordem pública, preservar a colheita da prova e paralisar a suposta prática de crimes por parte da ORCRIM investigada nestes autos, INDEFIRO, por ora, os pedidos de prisão preventiva formulados pela autoridade policial”.

 

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