O governador do Acre, Gladson Cameli (Progressistas), soube com antecedência que atos irregulares estavam sendo cometidos no Departamento de Estradas de Rodagens (Deracre), em Cruzeiro do Sul.
Cameli fora informado sobre o que acontecia por meio de mensagens de WhatsApp enviadas pela gestora de políticas públicas Núbia Adriana Gomes, em mais de uma oportunidade, mas preferiu se manter silente, sem tomar as medidas que o cargo de governador exige.
Lotada no Deracre, Núbia Adriana alega que passou a ser alvo de perseguição por parta da direção do órgão ao se posicionar contra o que considerava irregular. Numa das mensagens ao governador ela pede para não se transferida.
“Boa noite, governador! Eu fui transferida para a Seplag. Me tiraram do Deracre. Eu não quero ser transferida. Estou sofrendo perseguição política”, apelou.
A servidora insistiu com o governador: “Estou indignada com toda essa perseguição e assédio moral. Não só pelo Petrônio (Antunes), mas por outras pessoas também. Isso que estão fazendo comigo é crime”.
Gladson Cameli limitou-se a responder: “Vá na Seplan”.
Núbia respondeu: “Estou em Cruzeiro do Sul. Tem Seplan aqui?”.


Na resposta, o governador comete ato falho porque o seu governo extinguiu a Seplan, criando a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).
A servidora continuou mandado mensagem a Cameli, afirmando que foi aberta uma sindicância no Deracre para apurar irregularidades sem o devido amparo legal.
“Boa noite, governador, desculpa o incômodo. Esqueci de lhe passar uma situação. Essa sindicância aberta pelo diretor Petrônio não tem validade nenhuma perante a lei. Foi toda manipulada desde a abertura”.
Após o desabafo da servidora e sem querer tomar a decisão, Gladson Cameli comete o crime de prevaricação.
Em vez de determinar a investigação com profundidade, o governador bloqueou a servidora e simplesmente respondeu: “NÃO ME PERTURBE”.


Quem resolveu perturbar, porém, foi o delegado Pedro Resende, titular da Delegacia de Combate à Corrupção. Diante dos fatos, a autoridade policial abriu investigações e desencadeou a Operação Parking, em duas etapas.
As investigações apontaram que o Deracre executou uma obra particular da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuário (Infraero) feita no pátio do Aeroporto de Cruzeiro do Sul.
Uma empresa particular teria ganhado a licitação para executar a obra, porém, a polícia descobriu que quem fez os trabalhos foram as equipes do Deracre.
O fato havia sido comunicado pela servidora pública ao governador, que preferiu pedir para não ser perturbado.
A partir das investigações, servidores do Deracre foram afastados, dentre eles o amigo e ex-motorista de Cameli, cujo nome é Antônio Luciano de Oliveira.
O ex-motorista era chefe do Deracre em Cruzeiro do Sul, mas foi exonerado pelo amigo governador, diante das evidências claras do cometimento de atos ilegais.
Além do governador, a gestora de política pública enviou mensagem ao então chefe da Casa Civil, Flávio Pereira, que não esboçou qualquer reação no sentido de coibir os ilícitos.
“No dia da operação, dez para seis da manhã, o Flávio me ligou. Ele me enviou mensagem querendo saber onde eu estava. Ele sabia da operação antes do dia amanhecer”, revela.





Os prints das conversas com o governador e os demais membros do governo estão em poder das Polícias Civil e Federal, bem como desse Portal.
Servidora é alvo de perseguição
Desde que resolveu tornar público as irregularidades no Deracre de Cruzeiro do Sul, a Núbia Adriana passou a ser alvo de perseguição.
O primeiro passo foi transferi-la para a OCA de Cruzeiro do Sul. Semana passada, porém, a chefia da central de atendimento reuniu os servidores e disse que a gestora de políticas públicas não era bem-vinda no local e procurasse outro setor para ser lotada.
A servidora afirma que foi expulsa da OCA pela diretora Francisca Brito, que lhe mandou arrumar as coisas, pegar tudo que lhe pertencia e fosse embora sem nenhum ato oficial.
O principal motivo para que fosse colocada atende pelo nome de Antônio Luciano de Oliveira, o ex-motorista do governador que era chefe do Deracre.


Com medida restritiva imposta pela Justiça, Luciano deveria se manter mais de duzentos metros de distância da servidora, mas não cumpriu, quando foi à OCA.
Diante da reclamação da servidora, a chefe da unidade tomou partido. O caso foi denunciado na Delegacia da Mulher. Núbia Adriana garante que irá abrir processo contra os envolvidos.
A gestora de políticas públicas foi lotada no gabinete do vice-governador Wherles Rocha.
